Navegar é preciso

Desde os meus 16 anos eu navego na world wide web e foi nesse mundo de dados que eu descobri possibilidades de trabalho, formas de ter acesso a recursos que as circunstâncias sociais da minha vida não permitiriam sem as ferramentas que ali estavam disponíveis.

Aprendi muita coisa de forma autodidata. Desde a instalação da primeira placa de modem no meu 486 com o conhecimento adquirido por meio de uma revista sobre tecnologia e também outros upgrades no meu computador. Mas foi na web que recebi, talvez, o maior número de informações que contribuíram para a expansão do meu conhecimento.

Fiz amigos de vários lugares do mundo, consegui evoluir na língua inglesa e principalmente, aprendi que o mundo tinha coisas interessantíssimas e estavam ali disponíveis abaixo dos meus dedos e sendo reproduzidas na tela do computador.

Passados 18 anos, hoje o acesso aos computadores e a internet está mais popular, influenciando o modo como acessamos os dados e também o comportamento social.

Evidenciamos nosso perfil, pensamento político e até a forma como nos relacionamentos uns com os outros em telas de smartphone, tablets, notebooks, netbooks, smart tvs e outros dispositivos.

Cada vez mais estamos conectados e consequentemente há menores distâncias entre nós.

Alguns acreditam que nos aproximamos “virtualmente” mas nos distanciamos “fisicamente” (depois explico as aspas).

Dentro da web repetimos o mesmo comportamento que socialmente temos fora dela. Por meio dos computadores reforçamos o que está dentro de nós.

Tudo que está na web são criações humanos, com uso humano, com interação humana, ainda que ora identificados e replicados por inteligências artificiais.

As redes sociais e aplicativos de relacionamento nos facilitam o aumento de conexões na rede e interação com conteúdo diversificado. No entanto, insistimos em permanecer em aglomerados com o mesmo tipo de informação circulante. Estagnamos os dados e consequentemente as conexões.

Motivo? Provavelmente o medo de sair da zona de conforto.

Essa estagnação provoca monotonia. O mesmo caso das outras mono de nossas vidas: monogamia, monopólio, monocultura.. fica tudo assim: preto e branco, sem cor, sem vida. Mono-tom.

E pior.. nos adoece. A energia fica estagnada, bloqueada, subutilizada.

Para o melhor aproveitamento do que a rede tem a oferecer, que é a sua diversidade, é preciso sair da zona de conforto. Explorar novos aglomerados, interagir além da nossa “tchurma”.

Há uma riqueza no ser humano que podemos acessar navegando além dos nossos dedos.. navegando com jangadas, pernas, bicicletas, avião e de forma ainda mais poderosa: por meio de conversas significativas com cada nó da rede.

Uma forma de fluir pela rede é navegar entre as pessoas e nos mais diversos aglomerados. Cada um tem sua dinâmica, intenção, fluxo de energia, tempo, tipo de informação.

Conectar as pessoas só é possível se antes houver disposição para navegar além da web. É preciso navegar a rede.

Recomendo soltar, fluir, observar e principalmente interagir com atenção aos nós. Pode ser divertido, surpreendente e com muitos aprendizados.

Centro da Rede

Eu sou o centro da rede.

Tudo começa em mim. Tudo que existe é a partir do meu centro.

Você é minha projeção, somos todos um.

“Se agora me abro a você, você se abre a mim.

Se agora te violento, você me violenta.

Se agora não confio em você , você desconfia de mim.”

O fluxo é para tudo. A informação parte, flui, retorna e o caminho é indefinido. É sistêmico.

Alimentar o medo, a dor ou alegria? O que propagamos na rede?

Para estabelecer conexões significativas é preciso ter atenção [presença, foco] no que estamos intencionando. Isole o que nós causa dor. Realimente o que nós provoca amor.