PlugWoman – Boas surpresas no universo da publicidade

Eu estava precisando de cobaias para testar uma ferramenta de mapeamento de rede e fiz uma chamada em alguns grupos de profissionais mulheres da área de comunicação, tive a feliz surpresa de algumas responderem a essa chamada e entre elas surgiu a conexão com a Bia Ferrer que é fotográfa e tem uma agencia de produção de conteúdo com um portfolio incrível. Ela confiou em mim e no processo apresentado e vem dando bons retornos sobre o método. Bem, fiz essa introdução para falar como eu fui parar no evento PlugWoman que ocorreu em 20 de Maio em São Paulo, que é um evento focado no público publicitário e promovido por uma plataforma de cursos online, a Plugcitários. Foi a Bia que me convidou para o evento! 😉

Participei das apresentações e ainda no final ganhei um curso por postar algumas imagens sobre o evento com sua hashtag. Pra gente ver que essa coisa de cobertura em tempo real pode ser realizada pelo próprio público, ou seja, um ótimo aproveitamento de recursos. #ficadica

O evento foi exclusivamente de palestrantes mulheres e com foco no público do gênero. Havia a presença de alguns homens na plateia e que se comportaram bem. Aliás, achei muito inteligente da parte deles participar de uma atividade focada em mulheres e da publicidade. Isso aê galera, tem que aprender como fazer direito também no universo das mídias.

Falando do evento.. eu cheguei um pouco atrasada e perdi um tanto da abertura com a Heloisa Lima (Diretora de Mídia na Leo Burnett) tratando sobre processos de mudança e uma fala bem motivacional. O que eu achei mais interessante foi ela oferecer um exercício para depois ser apresentado a ela pelo inbox do Instagram. Achei uma ótima forma de gerar follow . 🙂

A segunda fala do dia foi da Joanna Monteiro (Chief Creative Officer – CCO na FCB BRASIL) que é uma fodona da área e que apresentou uns cases de publicidade interessantes, principalmente ligados ao grupo Estado (da qual sua agência detem a conta). Bem, o case que mais me instigou e foi uma em parceria com o APP Shazam. Em resumo, as músicas com letras misóginas eram sinalizadas para o usuário do app. Eu só não fiquei mais feliz porque foi só uma mídia (campanha de combate a violência contra a mulher) mas que era uma boa ideia para uma API de app de música.. isso é . Ela também apresentou alguns dados sobre violência contra mulher no Brasil.

Agora a fala que eu mais gostei foi a da Raphaella Martins Antonio (Gerente de Conta da JWT). A mulher, publicitária, negra, ativista, inteligente, master, blaster.. apresentou várias propagandas “equivocadas” e várias barreiras dentro das agências, tal como a difícil desenvolver campanhas sem machismo quando se tem clientes e gestores majoritariamente de homens brancos cis classe média alta etc etc etc.. aquele lugar dos super privilegiados e que dificilmente se mostram acessíveis para compreender ou se interessar pelas demandas, pontos de vista e questões das mulheres ou muito menos das minorias. Em resumo, a Rapha arrasou na argumentação. E evidenciou seus privilégios que possibilitaram seu acesso a universidade mas também suas dificuldades devido às barreiras sociais impostas em muitos lugares onde trabalhou. Eu destaco a fala dela sobre importância da mudança interna nas organizações, da necessidade de se ter mais diversidade entre os colaboradores para aí se conseguir dialogar melhor com um público diverso.

Teve uma roda de conversa entre as primeiras palestrantes que trouxe pouco debate mas destaco uma questão importante que emergiu do público sobre a autoria das criações. E a partir da experiência de algumas delas fica claro que processos cocriativos, mesmo que não sistematizados, dentro das agências precisam ser tratados como autoria coletiva. Por exemplo, algumas vezes o atendimento traz luz para uma criação e diversos atores dentro da organização trazem informações importantes para a produção de um trabalho. Outro ponto de destaque foi a questão de monetizar conteúdo, parece que dentro das grandes agências o entendimento de que o conteúdo não é uma forma de gerar publicidade direta mas sim de de acessar públicos e promover relacionamentos ainda causa um certo incomodo.

Na segunda parte do evento tivemos a presença da incrível Liliane Ferrari (professora e consultora de redes sociais e influenciadores) falando sobre “O Papel das influenciadoras digitais no feminismo”. Ela trouxe vários dados interessantes de uma pesquisa feita por ela sobre influenciadoras feministas . Mulheres como Jout Jout e Clara Averbuck são destaque quando o tema é feminismo na internet. Liliane também destacou o que é ser influenciador e a importância do engajamento nesse papel. Para ela “Não basta tirar self e ter milhares de seguidores e não gerar conteúdo. Isso não é ser um(a) engajador(a)”. Para ela, ser influenciador é ter a habilidade de transmitir uma mensagem. Para isso é preciso ter carisma, ou seja, conseguir lidar com pessoas. #ficadica
Ela também apresentou algumas situações em que as empresas, ávidas por impactar massas, saem desesperadas atrás dos grandes influenciadores e no fim fazem tudo errado. Geralmente, gastam muito em altos cachês mas não conseguem se conectar com nichos. Acho que a lição é..preste atenção nos influenciadores de nicho.

Depois tivemos a presença da Leticia Suher que falou dos desafios de estar em cargos gerenciais sendo mulher no universo da publicidade e também falou da importância de se construir bons relacionamentos para o desenvolvimento de novos negócios na área. Ela comentou que levou muitos anos para construir algumas das relações que permitiram o fechamento de grandes contas que ela tem hoje.

A última apresentação foi da Tatti Maeda, que é especialista em redes sociais e contou sobre a violência domestica que sofreu e todas as dificuldades para denunciar o agressor, parceiro e pai de seu filho. Ainda que a sua apresentação tenha sido bem extensa foi importante para o público.

Pontos que destaco ao final da atividade foi da importância da automotivação que muitas dela tiveram ao longo de suas vidas (pessoais e profissionais) e mesmo que a maioria tenha seus privilégios é visível que suas competências em algum momento foram questionadas devido ao suas expressões de gênero.

Grata Bia pela conexão com o evento e a todas pelos conteúdos.

Aos organizadores do evento #dica seria bom ampliar o número de mulheres professoras na grade dos cursos da Plugcitários, hein? E ao patrocinador Futura Imbatível, conversa com alguma das mulheres publicitárias incríveis que estavam presentes para tratar de divulgação acredito que vai ajudar bastante vocês 😉

Com <3

Flavia Amorim