Quem financia o carnaval paulistano?

O carnaval da cidade de São Paulo tem nesse ano de 2018 mais de 400 blocos desfilando pelas suas ruas, uma programação intensa entre ensaios e desfiles, milhares de pessoas ocupando a região central, o largo da batata em Pinheiros, a região do parque do Ibirapuera e outras tantas espalhadas pelos bairros, centenas de ambulantes vendendo bebidas alcoólicas e fantasias, trabalhadores organizando o transito e a limpeza por onde passa os foliões, artistas de diversas regiões do país se apresentando e uma grande movimentação financeira ocorre para que tudo isso seja viável.

E de onde vem os recursos para que isso tudo aconteça ainda que todas as atividades ocorram em espaços públicos e ofereçam acesso gratuito ?

Alguém paga a conta para que essa grande manifestação popular seja viável, os modelos de financiamento da folia variam entre:

Recurso público – por meio de editais e parcerias com a iniciativa privada

Recurso privado – por meio de patrocínio e apoios direto aos foliões

Recurso coletivo – por meio de arrecadação junto a indivíduos ou associações

Os primeiros passos para que um bloco inicie suas atividades é reunir um grupo de pessoas interessadas, desenvolver suas marchas, fantasias e outros adereços com recursos dos próprios foliões, ir para as ruas cativar e divertir o público da região onde ele emerge. Mesmo com um caráter comunitário, com o passar do tempo, muitos blocos vão agregando um grande público e a qualidade das apresentações passam a demandar maiores necessidades técnicas, ou seja, mais recursos e a sua mobilização ganha maior complexidade.

Há blocos que preferem manter seu processo de captação diretamente com o público, o chamado financiamento coletivo, por venda de camisetas ou ainda por meio da mobilização de recursos em plataformas digitais que facilitam a divulgação de suas campanhas. Isso mantem uma independência, o caráter comunitário e principalmente, o distanciamento de patrocínio por empresas privadas.

Outros grupos buscam apoio de grandes empresas, principalmente da industria de bebidas. Aqui os blocos se mobilizam ou mesmo são abordados por marcas que querem estar próximos a um público de interesse.

Surgiu também oportunidade de novos negócios com a criação de empresas focadas em grandes eventos em espaços públicos, como o caso da Pipoca, uma produtora cultural que organiza as apresentações de Alceu Valença, Elba Ramalho, Monobloco e nesse ano do Baiana System durante o período de carnaval.

O público muitas vezes desconhece ou não se atenta como aquela atividade é desenvolvida, por exemplo, hoje a prefeitura de São Paulo estabelece parcerias com empresas privadas para financiar a estrutura do carnaval e ordenar os trajetos dos blocos.

O carnaval de rua, de pequenos blocos, regionalizado foi resgatado e chamou a atenção por agregar cada vez mais público e facilitar a exposição de marcas mas pequenos conflitos começam a emergir e interesses econômicos parecem pautar as escolhas das organizações. Inclusive, existe um possível interesse do poder público pela apropriação dessa manifestação popular, em uma estratégia de comercialização, visando torna-lo mais um atrativo turístico.

Alguns grupos se recusam a participar da regulação pelo poder público por não concordarem com suas diretrizes e se torna uma questão política a escolha de acesso aos recursos. O carnaval pode ser apenas um momento de catarse para alguns e para outros essa festa de rua tem em sua essência a mobilização social entorno dos temas dos blocos e uma atitude de resistência frente as normas e costumes da época, além da ocupação do espaço público, tema tão necessário nos dias atuais.

A movimentação econômica que um evento de carnaval pode promover numa cidade como São Paulo é de grande potencial e interessa para muitas organizações, no entanto, o público do carnaval é capazes de nutrir um evento cultural de forma independente e a manutenção da folia pode ser feita pelos grupos que nela acreditam, aqui o financiamento coletivo mantem a maior característica do carnaval: ser uma manifestação popular, que vem das massas e que agem de forma participativa.

Em resumo, alguém está pagando a conta e o formato como ela se desenvolve diz muito como o público participa daquela ação, a escolha do modelo de financiamento pelos promotores da folia também caracteriza a forma como vão sendo criados os carnavais na cidade.

Novas Economias

Mulheres unidas para ativar recursos

Participei de um encontro entre mulheres para uma conversa sobre novas economias.

A atividade foi uma iniciativa da Marysol Goes, quem conheci nos encontros da Impact Women (ImpactHub) no ano passado, além de fluirmos por comunidades como o Dragon Dreaming,  mas dessa vez tive a oportunidade de prestigir a atividade organizada por ela.. a 2.OFICINA PARA MULHERES: COMO ATIVAR RECURSOS NAS NOVAS ECONOMIAS?

Marysol está  se especializando em Fluxonomia 4D e em breve se tornará uma fluxonomista. Já atuou como voluntária em diversas ações, principalmente, com empreendedorismo e reintegração de refugiados pela ADUS.

Acho que é melhor explicar o que é a fluxonomia 4d primeiro: é uma matriz de fluxo de recursos desenvolvido pela Lala Deheinzelin. Eu chamo de matriz porque é a forma como eu a compreendo, ainda que tenha vários conceitos e um processo específico em cada uma das dimensões econômicas apresentadas.

Bem vamos lá.. na fluxonomia há o entendimento que a sustentabilidade de nossos projetos ou sonhos só será  possível  se compreendemos e aplicarmos 4 dimensões econômicas,  são elas: a criativa, a compartilhada, a colaborativa e a multimoedas (e eu fico tentando achar uma palavra com c para substitui-la.. ). Numa visão sistêmica é possível verificar que cada parte tem relação com o todo o conceito e que elas são interdependentes.

A fluxonomia emergiu a  partir do mapeadas e experiência da Lala, durante vários anos de trabalho com economia criativa e inovação. Hoje já há um grupo que suporta e dissemina os conceitos apresentados inicialmente por ela e que você pode conhecer na rede http://criefuturos.com/

Lá também tem link pro Ebook Desejável Mundo Novo.

Agora, voltando a atividade proposta pela Marysol..

Ela deu uma pequena introdução sobre os tipos de futuro (conceito apresentado na fluxonomia)…

Futuro Prováveis – baseado em ações passadas e que tem um caráter de negativação e binariedade (pode, não pode, sim ou não, certo e errado)

Futuro Possíveis – baseado em ações e conhecimentos atuais mas ainda com baixo impacto

Futuros Desejáveis – baseado em sonhos e novas perspectivas, de fato inovador.

A Marysol também tratou rapidamente sobre a “ferida com o dinheiro”, conceito que eu já  tinha acessado na oficina de captação empoderada de recursos oferecida pela Tanya (que a Marysol teve o cuidado de citar) e que faz parte da formação Dragon Dreaming. O DD também foi citado durante sua atividade, destacando a importância da celebração nos projetos.

Para saber mais sobre o DD  recomendo esse artigo: http://projetodraft.com/verbete-draft-o-que-e-dragon-dreaming/

E como atuamos com um pensamento de escassez.

Ela então apresentou cada uma das dimensões da fluxonomia:

Criativa – aspecto intangível dentro da economia e de onde partes as ideias, os sonhos e a vontade de criar algo novo numa perspectiva “desejável”. É a semente para o futuro, onde emergem as novas ideias. Sendo uma dimensão cultural.

Compartilhada – aspecto tangível, onde se busca otimizar o uso de recursos por meio do compartilhamento, como o  uso de espaços comuns para trabalho (espaços de coworking), aproveitar vagas em carros ou domicílios. É a base ou infra-estrutura para o desenvolvimento das ideias. O solo fértil para as ações necessárias. Essa é a dimensão ambiental.

Colaborativa – outro aspecto intangível de estimulo a parcerias e ações em conjunto por meio das trocas durante as relações humanas. É o momento de gerir e nutrir as relações. A dimensão social da economia.

Multimoedas  – também um aspecto tangível da economia, onde reside a multiplicidade de possibilidade de trocas por diferentes caminhos. Onde se realiza a colheita ou os resultados. A dimensão financeira.

O evento ocorreu no espaço Casa da Cidade, que acolhe iniciativas conectadas a transformações sociais, políticas e econômicas na cidade de São Paulo, que tem como um dos responsáveis e inicializadores o Nabil Bonduki.

Ainda que exclusivamente de mulheres, o público foi diversificado com a presença de mulheres da área criativa, comunicação, design, ambiental e economista.

Realizamos boas conexões e todas demonstraram satisfação com o conteúdo.

Confesso que senti a falta de conteúdo ou exemplos que reforçassem o empoderamento das mulheres nas novas economias e que motivassem a importância de nos conectarmos para desenvolver trocas que nos fortaleçam,    ainda que o foco do evento fosse a participação de mulheres e o tempo bem curto.

No próximo dia 28 de Junho de 2017, a Marysol vai oferecer um novo encontro e quem quiser participar, só acessar esse evento aqui: https://www.facebook.com/events/1564195430280428

 

Bons fluxos!